A CONSTRUÇÃO CIENTÍFICA DO POLÍTICO EM EDUCAÇÃO
Resumo
Tendo por base esta preocupação, debruçar-nos-emos sobre a interdeterminação entre os modelos epistemológicos estruturantes da cientificidade educativa e a produção política da educação. Procuraremos, assim, perceber as conexões susceptíveis de se estabelecer entre as propriedades políticas dos seres que habitam o campo educativo e as suas propriedades científicas, isto é, parafraseando BOURDIEU (1997), entre a construção semântica da educação no espaço político e as matrizes discursivas que têm estruturado o “inconsciente epistémico” da produção científica do educativo. Trata-se, em última análise, de propor uma abordagem das relações entre as qualidades que são atribuídas aos seres educativos para que eles possam ser geríveis e as propriedades lhes são imputadas de forma a que eles possam ser cognoscíveis e reconhecíveis, admitindo que, em ambos os casos, se procede a uma simplificação da complexidade ontológica do educativo recorrendo tanto a modelos de justificação como a artefactos metodológicos. Procuraremos caracterizar estes dispositivos de simplificação da complexidade do educativo situando-os em dois momentos histórico diferentes. O primeiro ocorre nos trinta gloriosos anos que se seguiram ao fim da 2ª Guerra Mundial e corresponde a um contexto político de afirmação e de desenvolvimento do Estado Educador. O segundo momento desenvolve-se nas décadas de 80 e 90, num contexto de crise do Estado Educador e de desenvolvimento do Estado Avaliador com a correspondente redistribuição das responsabilidades sociais pela gestão da escolarização e da sua crise.
Para concluir, faremos uma digressão breve sobre a actual crise da escolarização, ou melhor, sobre a situação paradoxal que se vive actualmente no campo educativo, onde a profunda erosão da forma escolar de se pensar a educação tem sido acompanhada pelo reforço das tendências para a hiper-escolarização do educativo e do social, para realçarmos que esta crise contribui para uma profunda instabilização das formas de categorização social oriundas do mundo escolar. Tendo por pano de fundo esta crise das categorias escolares, bem como a instabilização dos espaços e dos tempos sociais vocacionados para definirem as políticas e as justiças educativas, concluiremos com a breve apresentação de um paradigma investigativo ocupado com a reabilitação da crítica e com a recriação de um educativo que não pode ser redutível ao escolar. Trata-se, agora, de definir os contornos de um pensamento crítico que permita recriar uma complexidade ontológica do educativo como “discurso científico” e como “discurso político” enformada dos propósitos de potenciar as suas valências emancipatórias.Texto Completo: PDF
Revista Brasileira de Docência, Ensino e Pesquisa em Enfermagem
ISSN 2175-5736
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